ABDUÇÃO – EVOLUÇÃO CIENTÍFICA NÃO É SINÔNIMO DE MORAL ELEVADA

 19 junho 2015   Em:
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Pedro de Campos fala sobre “abdução” no Cosmos VIII

 

Pelo processo gradual de transformação de uma sociedade, “evolução cientifica” não é sinônimo de “evolução moral”, embora ambos os processos possam caminhar relativamente próximos numa mesma civilização. Isto pode ser visto no avanço evolutivo das nações e guarda estreita relação com testemunhos de pessoas tidas como abduzidas, as quais falam ter vivido experiências intrigantes em mãos alienígenas.

 

Na nossa sociedade, o fenômeno de abdução beira o inacreditável, porque a nossa faculdade de julgar as boas iniciativas do homem nos induz a pensar que o indivíduo cientificamente preparado não faria com os seres humanos aquilo que as testemunhas dizem ter sofrido quando levadas a bordo de engenhos alienígenas.

 

Contudo, isto não quer dizer que se nas nossas futuras viagens espaciais formos capazes de aportar a um planeta habitado por seres de evolução inferior à nossa, não faríamos ali a captura de tipos de vida para estudo no laboratório da nave ou na Terra, após o transporte.

 

Em tais condições, seria natural aos membros da hipotética civilização visitada, em razão de sua inferioridade evolutiva, deificar, em suas rogativas, a nossa presença em seu planeta ou tomar-nos  como seres enigmáticos que interagem com sua espécie sem que possam alcançar a finalidade de nossa presença, imaginando mil coisas ligadas à sua cultura, embora quase todas irreais. Por lógica, conosco, nos chamados contatos de terceiro grau (avistamento pessoal do alien) e quarto grau (abdução – rapto da pessoa), não se descarta que possa estar ocorrendo algo semelhante.

 

Na sociedade como um todo, são muitos os que têm curiosidade em saber mais sobre extraterrestres e vislumbre nas pesquisas ufológicas, nos testemunhos de pessoas abduzidas e nos avistamentos e relatos de indivíduos contatados a chance de conhecer melhor eventos tão incomuns.

 

Com tal intenção, dentro do movimento espírita não são poucos os interessados na nossa abordagem associando Espiritismo e Ufologia. São eles que formulam perguntas e querem entender melhor a intrigante “questão extraterrestre”. Naturalmente que as perguntas colocadas são polêmicas e que as respostas não tenham a acolhida unânime dos ufólogos. Mas a análise é lógica e está dentro dos postulados estabelecidos na Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec.

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Na questão apresentada pelo leitor, apenas nos propomos refletir um pouco sobre o tema. Indaga-se: “Considerando-se a divulgação de que Deus só permite obter tecnologia avançada àqueles que já atingiram um grau elevado de moral e capacidade para distinguir o certo e o errado, como entender que ETs do tipo “Cinza”, com moral fraca, possam ter obtido tecnologia avançada para vir a Terra e fazer abdução? Isto não é contraditório?”.

 

De fato, é contraditório, porque a premissa está errada – “evolução técnica” não é necessariamente um sinônimo de “evolução moral”. Por vezes ouvimos frases com tal contraditório, vindas de pessoas com filosofias, religiões e culturas diferentes. Difícil saber a origem desse pensamento, mas o fato é que ele não se sustenta na nossa sociedade, decaindo facilmente. E os motivos são vários.

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De maneira geral, os seres humanos se julgam inteligentes o bastante e com discernimento suficiente para escolher sempre a atitude correta. Mas quando olha para trás, vê que as ações do homem não obedecem à alegada autossuficiência – após o invento da bomba atômica, no dia seguinte os Estados Unidos estouraram o Japão, fazendo milhares de mortos e milhões de vítimas da radiação nuclear ao longo dos anos. Hoje, o efeito seria infinitamente maior.

 

Nota-se que Rússia e China estão por ora contidas, mas o mesmo não ocorre com a Coréia do Norte, com a indisposição religiosa entre o Paquistão (mulçumano) e a Índia (hinduísta) e menos ainda no Oriente Médio, entre islamitas e judeus, sugerindo-nos, nesse contexto, um futuro de potencial altamente perigoso para a humanidade. O dia para cessar tais indisposições parece distante, porque depende da acomodação de interesses conflitantes e da evolução moral do homem, feitos não realizáveis da noite para o dia, mas no curso das gerações futuras.

 

O Brasil, por sua vez, se de um lado tem a melhor e mais rápida tecnologia de votação entre os regimes democráticos, de outro, tem a pior classe política do mundo em termos morais; e sabe que enquanto o retardo moral não for varrido, pouco será solucionado no país em termos de corrupção, contrabando, drogas, vício e crimes. E mesmo fazendo limpeza imediata no sistema, sabe também que tal solução será apenas paliativa, porque grande parte da criminalidade é praticada por pessoas inteligentes, educadas nas melhores escolas e bem empregadas, mas desniveladas na moral. Portanto, a questão da índole precisa ser cultivada com educação desde a primeira infância, por professores e profissionais capacitados e honestos que assistam também o pai, a mãe e a família. Deixar isto a cargo das religiões é não cumprir com o dever do Estado.

 

Assim, a ideia de que “Deus só permitiria obter tecnologia avançada àqueles que já atingiram um grau elevado de moral” não se confirma na nossa realidade – estamos cansados de ver a imoralidade lavrar como peste em meio a sociedades com alto grau de tecnologia e capacidade intelectual. O fato é que já conseguimos massificar o uso de muitas tecnologias, mas temos dificuldade em massificar a moral, quer da pessoa quer da sociedade. Por lógica, o mesmo pode ter ocorrido em mundos distantes e, em alguns deles, os ETs já poderiam ter obtido tecnologia avançada para chegarem à Terra.

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Não há dúvida de que o homem saiba distinguir o bem e o mal, mas a insensatez e a ganância imperam nas sociedades cientificamente avançadas, fazendo-a desprezar o senso fraterno e desapegar-se da moral, ao mesmo tempo em que incentiva a força econômica geradora de ciência e tecnologia. Hoje, a potência das armas nucleares é tão grande que se alguém apertar o gatilho tudo será pulverizado. O risco está aí, para quem quiser ver, e estamos à beira de criar bases na Lua e fazer viagem tripulada a Marte.

 

Então vem a pergunta: quem está errado, Deus, que nos deu capacidade de discernir e criar ciência avançada ou o pretenso “filósofo” que usa o nome de Deus para dizer que “apenas os de elevada moral” desenvolvem capacidade para inventar tecnologia e viajar para outro planeta?

 

Se Deus tivesse errado ao nos colocar nas mãos tanta capacidade técnica, inclusive de destruição, Ele não seria justo e bom. Portanto, deve haver algum benefício nessa empreitada, embora, talvez, não seja claro ao homem. Ocorre que temos o chamado livre-arbítrio e nos determinamos a proceder como nos convém, mesmo sabendo que estamos errados. Uma civilização alienígena, com nível moral equivalente ao nosso, mas com tecnologia mais avançada, poderia agir como nós e submeter-nos com a força de sua tecnologia.

 

Há quem considere que a lógica, na marcha evolutiva do espírito, seria avançar em linha reta de ascensão, galgando sempre, sem retrocesso, um degrau mais alto na escalada. Mas o postulado, segundo a Doutrina Espírita, é que enquanto o espírito estiver postado nos degraus da imperfeição, caracterizados pela encarnação em Mundos de Expiações e Provas e Mundos Regeneradores, o espírito pode decair e retroceder, voltando um degrau para expiar e aprender em mundo inferior ao que estava. São os espíritos desse naipe que têm a ciência avançada, mas a moral em retardo. Deve-se a eles o desequilíbrio e a constatação de que “avanço científico não é sinônimo de elevada moral”.

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Segundo testemunhos de pessoas abduzidas, os seres do tipo “Cinza” e seus assemelhados fazem coisas que nos parecem inconcebíveis, inclusive experiências para criação de seres híbridos, experimentos que nos parecem nocivos à espécie humana, mas para “eles”, por certo, como cientistas visitantes, tais feitos devem ter utilidade. É provável, também, que estejamos aprendendo algo, mas a verdade sobre tais seres e suas ações, com os nossos recursos científicos atuais, não pode ser certificada.

 

Nos eventos de abdução, os seres “Cinzas” denotam estar longe do grau social elevado – parecem imperfeitos e estariam, como nós, vivendo em Mundo de Expiações e Provas. Mas como a espécie deles é diferente da nossa, fazer o comparativo pode ser errado em relação a vários aspectos: o que é moral para uma, pode não ser para outra espécie. Contudo, se de alguma maneira “eles” nos ameaçam, cabe-nos a defesa. Por isso a segurança deve fazer a sua parte.

 

Vale lembrar aqui Allan Kardec, quando fala da vida em mundo com um degrau evolutivo acima do nosso. Em linhas gerais, fala que nos Mundos de Regeneração o homem ainda está sujeito a leis que regem a matéria, é ainda de carne e osso e experimenta sensações e desejos, mas está livre das paixões desordenadas; todavia, como ainda não está desmaterializado, passa por provas e pode decair, voltando a encarnar em Mundos de Expiações e Provas, como a Terra (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. III – Na casa de meu pai há muitas moradas 16-18).

 

Se nos orbes a um degrau acima a criatura está sujeita a errar e decair, o que dizer então daqueles que estão no mesmo patamar da Terra? Pelo que os seres “Cinzas” têm oferecido aos abduzidos, supõe-se que sejam oriundos de Mundos de Expiações e Provas ou, na hipótese mais generosa, de Mundos Regeneradores. É provável, também, que esses encarnados tenham escolhido um caminho que leva ao decaimento (situação postulada pela Doutrina Espírita – O Evangelho…, cap. III: 16-18), e que sejam responsáveis pelas abduções, pelos traumas psicológicos e experiências físicas no homem. Quanto a isto, cada qual deve fazer o seu juízo.

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A Doutrina Espírita trata da “encarnação em diferentes mundos” em capítulo específico de O Livro dos Espíritos. Na pergunta 182, Kardec indaga se haveria como conhecermos exatamente o estado físico e moral dos habitantes de diferentes mundos. E tem como resposta: “Nós só vós podemos responder nos limites do vosso adiantamento; isto significa que nem tudo nos é dado revelar-vos, porque nem todos estão no estado de percepção necessário: semelhante revelação perturbaria a muitos”.

 

É certo que uma revelação de teor elevado não perturbaria a ninguém, tratando-se a resposta de algo com impacto negativo aos ainda despreparados. Mas é preciso entender que o saber do povo em 1857, quando a resposta foi dada, era um e hoje é outro. Hoje, observam-se condutas atribuídas ao alienígena do tipo “Cinza” que chocam e perturbam a muitos, consoante à resposta do Espírito Verdade, mas de possível estudo.

 

Hoje, diferente de ontem, após o surgimento da Era Moderna dos UFOs, iniciada a 24 de junho de 1947, as pesquisas científicas evoluíram e tais condutas podem ser estudadas com metodologia e critério médico-científico. É comum focar a pesquisa de abdução nas testemunhas que dizem ter sido vítimas e nos vestígios deixados pelo evento, podendo a hipótese ser aceita ou repelida. Assim, cada caso é um caso, que requer acurada pesquisa ufológica.

 

Embora as chamadas “visitas à Terra” sejam mais sugestivas de procedência “menos material”, ainda assim, em menor incidência, a “vida corpórea densa” também dá mostras de que poderia estar presente. Na Ufologia, tem-se que seres densos poderiam vir ao nosso planeta viajando “por fora do nosso espaço”, pelos hipotéticos Buracos de Minhoca (Wormholes), uma viagem tão insólita quanto os chamados “Fenômenos de Transporte” estudados desde a época de Kardec.

 

Contudo, como espiritualistas, temos que a Terra não esteja ao léu no espaço. Deve haver lá em cima uma Fraternidade Maior nos guardando dos males que ainda não podemos perceber. Mesmo porque, essas entidades negativas devem estar nos visitando há milênios, conforme mostram os relatos antigos de várias religiões. Se estivéssemos à deriva e não houvesse no cosmos uma ordem estabelecida, por certo já teríamos sucumbido.

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Conforme testemunhos de contato com entidades de elevada moral, o livre-arbítrio, de maneira geral, estaria situado dentro de certos limites, além dos quais não seria permitido a ninguém ultrapassar. Se for assim, as ações dos seres “cinzas” e as de outros semelhantes estariam limitadas, razão pela qual ainda estamos aqui desde o início dos tempos, evoluindo passo a passo, guiados por imponderáveis Forças do Bem.

 

Mesmo em aparente desvantagem, porque “eles” ficam ocultos (são ou se fazem invisíveis e, vez ou outra, se apresentam fisicamente sem vermos qualquer materialização – entram prontos no ambiente, como num Fenômeno de Transporte), não deveríamos ter preocupação excessiva, pois alguém lá em cima parece estar fazendo a nossa guarda. Enquanto nós, aqui, temos de fazer a nossa parte: defendermo-nos de eventuais negatividades, evoluir no aspecto pessoal, no familiar e no interesse da humanidade; desenvolver a ciência e avançar a moral para aquisição de sabedoria e espiritualidade. Assim, por esforço próprio, haveremos de nos capacitar para encarnações futuras em mundo mais adiantado que a Terra.

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ABDUÇÃO – entrevista de Pedro de Campos

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Sobre o Autor

Pedro de Campos

Pedro de Campos

Pedro de Campos nasceu em São Paulo no ano de 1950. Sua mãe é lituana e o pai descendente de portugueses e italianos. É casado e tem três filhos. Formado em Administração de Empresas, é especialista em Planejamento, Contratos Públicos e Telecomunicações. Esteve em missão técnico-profissional na Itália, por dois anos, em empresa multinacional, e ajudou a trazer ao Brasil a tecnologia para fabricação de aparelhos de telex, um avanço para a época. Conheceu o Espiritismo por intermédio de sua mãe, que desde cedo ficou orfã e, por um período de dez anos, esteve interna em um colégio de freiras, onde via e conversava com os espíritos. Quando de lá saiu, sua mãe desenvolveu e aprimorou vários tipos de mediunidade, após diversos cursos realizados na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Pedro é pesquisador e autodidata. Conheceu o Espiritismo em 1963, com 13 anos de idade, tendo, a partir daí, participado de sessões práticas semanais no Centro Espírita Ana Belhunas, fundado por sua mãe. CRÉDITO DE IMAGEM: KARINA YAMADA

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